• redação CIVI-CO

Empreendedoras mostram avanço de negócios de impacto no Brasil

por Muda Tudo




Mariana Fonseca e Livia Hollerbach, co-fundadoras da Pipe Social

Chegou à segunda edição o Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental, um estudo abrangente do cenário do empreendedorismo social no Brasil conduzido pela Pipe.Social. O mapa, lançado em março deste ano no CIVI-CO, traz um levantamento aprofundado do ecossistema de impacto, reunindo dados e apontando desafios e oportunidades.

O primeiro Mapa realizado pela Pipe.Social, plataforma-vitrine de negócios de impacto social e ambiental, foi lançado em 2017. Dois anos depois, as cofundadoras do site, Livia Hollerbach e Mariana Fonseca, conduziram o novo estudo que coletou informações de 1.002 negócios em áreas de relevância, como saúde, educação, tecnologias verdes, cidadania, cidades e serviços financeiros.

O propósito da pesquisa é fornecer dados para tomada de decisão de empreendedores a empresas. “O Mapa tem um papel fundamental de orientar o setor e os atores, ajudá-los a entenderem melhor quais são os desafios, os problemas e as oportunidades,” diz Livia.

Observada por Mariana, Livia apresenta os avanços do ecossistema de impacto

Os dados apresentados no estudo têm recortes por área, localização, gênero e idade. Entre os negócios mapeados nessa segunda edição, 46% trazem soluções de tecnologia verde; 43% cidadania; 36% educação; 26% saúde; 23% serviços financeiros; e 23% cidades. O Sudeste concentra 62% dos negócios que participam do Mapa, sendo 38% em São Paulo, 12% no Rio de Janeiro, 11% em Minas Gerais e apenas 1% no Espírito Santo.

Segundo Livia, o 2º Mapa mostra um amadurecimento do setor de impacto social e ambiental no país, em comparação ao estudo anterior, e uma evolução clara em aspectos importantes. “Apesar de terem sido dois anos muito difíceis na economia, o ecossistema se movimentou bastante e evoluiu muito no sentido de olhar para o sistema financeiro”, conclui a pesquisadora.

Nos últimos dois anos, que Livia define como de grande aquecimento, ela destaca uma articulação bem maior nesse setor, que se traduziu em mais eventos, fóruns e melhor posicionamento na mídia. “Foram anos de muito aquecimento, o ecossistema fez bastante para levar esse conceito para instâncias de governo, da academia, da sociedade em geral, e investidores se movimentaram para buscar novas formas de investir e de olhar para esse setor.”

Outro sinal de maturidade é o crescimento no número de negócios que entendem a importância da medição do impacto e que já trabalham com métricas.




Um dado que se destaca na pesquisa é a ebulição, nos últimos anos, de negócios da chamada Economia Prateada, voltada para o público na maturidade. Dos negócios mapeados, 6% foram fundados por pessoas acima dos 60 anos e a maioria delas se lança no setor olhando para os próprios desafios e buscando soluções em áreas como mobilidade, de cuidados, de entretenimento e lazer.

Além de trazer à luz um público até hoje negligenciado, esses agentes oferecem outras lições para o mercado. “São negócios que nascem com uma proposta de valor muito mais refinada, porque eles estão resolvendo a própria dor, e são pessoas que têm um conhecimento de negócio muito interessante, porque trazem a experiência adquirida por carreiras em grandes empresas”, explica a cofundadora da Pipe.Social.

O ecossistema, no entanto, ainda tem um caminho longo a percorrer em termos de igualdade de gênero. A porcentagem de negócios fundados apenas por homens é de 32%, enquanto 18% têm mais homens entre os fundadores, 22% têm um quadro misto. Já aqueles que reúnem mulheres ou foram fundados apenas por elas representam 7% e 21%, respectivamente.

A disparidade aumenta quando o estudo analisa o acesso a capital investidor - enquanto 55% dos negócios fundados apenas por homens ou com mais homens do que mulheres no quadro societário já captaram investimento, apenas 25% das empresas com apenas ou mais mulheres como fundadoras tiveram a mesma oportunidade.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelas mulheres, Livia Hollerbach acredita que o setor está começando a reagir, com ações como a criação de programas de aceleração e de educação financeira com foco nas empreendedoras.



Equipe Pipe.Social responsável pelo lançamento do 2º Mapa de Impacto

O Mapa de Negócios de Impacto Social + Ambiental completo está disponível para download no site. Clique aqui!

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