• redação CIVI-CO

Movimento colaborativo reinventa a economia. RedeDots lança plataforma de marketplace social

O futuro do trabalho na era da Inteligência Artificial é um tema que tem trazido muita reflexão e preocupação também. Se a máquina vai substituir o ser humano, o que será de nós? Mas a solução, acredite, pode estar na gente mesmo. “As pessoas estão falando de mercado, não de gente. Mas o que faz o mercado é gente!”

A afirmação animadora é de Kuki Bailly, fundadora da rededots. Uma iniciativa que começou como um grupo fechado no Facebook, mas cresceu tanto que agora se transformou em um market place ou, como Kuki prefere chamar, um "people place."

Tem serviço e produto, coisa que ninguém faz no mercado. Serviço, produto, e conversa! É uma rede social com business.

Kuki é uma espécie de Mark Zuckerberg (CEO do Facebook) do impacto social. Nasceu com o dom de conectar desconhecidos. "Sempre tive muito prazer em ajudar todo mundo com qualquer coisa que precisassem, principalmente na área profissional. Eu gosto muito de escutar, eu gosto das pessoas, e quando eu vejo que as pessoas têm de se conhecer, eu as conecto."

Por conta dessa sua obsessão em juntar todo mundo, acabou ganhando o apelido de Conector (conectora) quando ainda morava fora do Brasil. Filha de mãe chinesa e pai francês, Kuki morou na França, China, viajou muito, e estudou fora. "Comecei minha carreira fora do Brasil e sempre tive acesso às pessoas de uma forma muito fácil, desde estagiários até CEOs. Não sei dizer porquê, mas sempre usei isso para o bem." O talento para unir as pessoas foi posto à prova em 2015, quando a crise econômica levou milhões de pessoas a serem demitidas, inclusive ela própria.

Eu que nunca tinha usado a rede social, fiz uma postagem dizendo que sempre abri minha agenda para as pessoas e trabalho nunca me faltou. Vocês querem fazer o mesmo que eu?

A reação dos amigos e conhecidos, pessoas que já faziam parte da sua agenda, foi imediata e o post viralizou. Impressionada com a adesão, Kuki resolveu criar um grupo fechado e no primeiro ano já somava 30 mil seguidores. Nascia aí uma rede poderosa de comércio justo e solidário que só faz crescer. Em 2017 já eram 70 mil, e agora em 2018 chegou a mais de 210 mil. A cada 48 horas entram, mais ou menos, mil novos integrantes.

"Pedidos de entrada são muito mais, mas que eu aprove, é mais ou menos isso. Então são mais ou menos de 15 a 17 mil pessoas a cada 28 dias entrando na rededots. Isso no Facebook. A coisa ficou tão grande que as pessoas começaram a vender, comprar, trocar, fazer de tudo lá dentro, sempre se apresentando como pessoa, contando sua história pessoal." Cada indivíduo representa um dots (ponto) e o valor dele é o grande diferencial da rede.

O que faz de você um ser humano único, especial? É isso o que eu quero saber na rede. Por que (para mim) o mundo está tão errado? Porque as conexões não estão se fazendo mais com pessoas, com seres, indivíduos. As pessoas estão falando de mercado, não de gente. Só o que faz o mercado é gente!

Kuki no meio, cercada pela equipe formada por profissionais variados, mas que têm em comum o desejo de causar impacto positivo na sociedade.[/caption]

E gente é o que não falta na rededots. Para dar conta destas 250 mil pessoas, Kuki conta com uma equipe de 15 moderadores, que entram na rede às 6 da manhã e saem à uma da madrugada. "Eu saio à uma e meia da manhã, eu apago a luz, sou a última." Diretora de arte, com uma experiência executiva em grandes empresas, Kuki não se enxerga mais em outro lugar a não ser à frente dessa rede construída a partir de sua paixão por conectar pessoas. "Eu tomei a decisão de fazer disso o negócio da minha vida. Para criar um projeto que realmente tivesse impacto social, eu precisava de uma ferramenta melhor do que essa do Facebook. Fiz um financiamento coletivo, consegui levantar uma graninha, contratei uma consultoria super bacana para moldar meu negócio. E vieram as perguntas:

O que a rededots pode ser com essa base de usuários, com essa economia colaborativa surgindo? Como eu posso ajudar a essa rede se desenvolver e melhorar a vida dessas pessoas?

Dessa imersão surgiu uma RedeDots independente, uma plataforma de marketplace lançada no mês de julho. A plataforma é aberta para compra e fechada para venda, quer dizer, a pessoa tem que ser convidada por alguém do grupo para poder entrar na rededots, tal como acontece no Facebook. "Todos podem convidar quem quiser, mas tem de ser convidado."

A nova rededots valoriza ainda mais os produtos. "Dentro da plataforma cada um tem sua lojinha com um banner. Você pode estar na agenda da rededots e colocar seus serviços." O custo para ter sua loja na plataforma é de R$9,90 mensais. "As comissões são as mais baixas do mercado, não chegam a 10% com todos os impostos. É um projeto social mesmo. A gente está sacrificando ao máximo a nossa porcentagem para beneficiar os pequenos empreendedores. Fechei um contrato com a Arredondar, uma ONG que você pode doar os centavos. A nossa plataforma é a única que vai fazer isso. Ela é inteirinha construída para melhorar a vida das pessoas."

Uma pesquisa encomendada pela própria Kuki apontou que 25% da rede vive do comércio da rededots, o que significa quase 50 mil pessoas. "Tem todas as classes sociais, todas as profissões, 70 por cento de mulheres na idade de 35 a 55 anos. o que é super importante, porque elas sustentam a casa, é uma história muito linda. Aqui tem redistribuição de renda e erradicação de pobreza, esse é o nosso foco."

A rededots faz parte do programa de aceleração do CIVI-CO, o Adote uma Startup. "Eles estão me dando toda a estrutura possível. Eu não tinha a menor ideia que isso ficaria assim, desse tamanho," festeja Kuki!

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