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NEGÓCIOS SOCIAIS, O


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NEGÓCIOS SOCIAIS, O

Posted at 15:48h in Sem categoria by CIVI-CO

Até pouco tempo atrás, o sucesso de um negócio era medido pelo lucro econômico. Quanto mais dinheiro gerasse, mais bem sucedida a empresa era. Um modelo que fazia todo sentido com um estilo de vida pautado pelo consumo e acúmulo de bens materiais. Acontece que o lucro pelo lucro acabou criando graves problemas socioambientais. É neste hiato, entre produzir e consumir sem destruir o planeta e criar riqueza ao custo de um aumento da pobreza, que surgem os negócios sociais. Um conceito criado pelo economista e Nobel da Paz, Muhammad Yunus, no qual sucesso não é ter lucro, mas impacto positivo na sociedade. O bengalês, autor do livro Banker to the Poor (O banqueiro dos Pobres) ficou conhecido por tirar milhões de pessoas da linha da pobreza na Índia com o microcrédito. Yunus costuma dizer que “é impossível ter paz com pobreza.” Difícil alguém discordar disso…

Pois o CIVI-CO nasceu exatamente com o propósito de reunir e fomentar iniciativas voltadas para solucionar os desafios da sociedade, o maior deles, a pobreza. Todas as iniciativas que fazem parte do co-working estão alinhadas com os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da Agenda 2030 da ONU. E o objetivo número 1, não à toa, é “erradicar a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.”

Desde que Muhammed Yunus ma das formas de

organizações (que podem ser do terceiro setor, LTDAs, SAs) que têm, como atividade fim, gerar impacto social (para comunidades vulneráveis, de baixa renda, com graves problemas sociais etc) e, paralelamente, possuem atividades que geram receita que permitem sua sustentabilidade a curto, médio e longo prazo. “Quando você define o Negócio Social você está olhando simultaneamente para esses dois pontos: a necessidade de impacto social como atividade central e a geração de receita para auto sustento. Isso é o que difere o Negócio Social das organizações de terceiro setor tradicionais”, diz Tania Vidigal Limeira, professora de Empreendedorismo Social na EAESP-FGV. Caso o negócio social seja uma empresa (LTDA ou SA) há uma subdivisão: as que distribuem lucros e as que não distribuem lucros. Isso determina, segundo Henrique Bussacos, co-fundador do Impact Hub, rede de inovação social e comunidade global de empreendedores de impacto, duas visões dentro do conceito de Negócios Sociais. “Uma visão, defendida por Muhammed Yunus, fundador do Grameen Bank (o Draft contou a história do braço brasileiro aqui), é a de que os Negócios Sociais não deveriam distribuir dividendos para os investidores. A visão contrária acredita que a distribuição de dividendos consegue atrair mais capital para ampliar sua escala. Atualmente, também chamam esse segundo modelo de negócio de impacto ou negócio de impacto social”, diz Bussacos.

O polo de impacto social reúne organizações do 3º setor (ONGs e Institutos), startups e empresas do setor 2.5, os chamados negócios sociais. Mas o que é, exatamente, um negócio social?

Para entender bem o conceito, reunimos 4 empreendedores residentes do espaço e fizemos as seguintes perguntas:

1) o que é um negócio social?

2) o que leva o empreendedor optar por este modelo de negócio?

3) qual é a importância dos negócios sociais para a sociedade?

Para Mariana Fonseca, cofundadora da Pipe Social, uma vitrine de negócios de impacto ou, como ela prefere chamar, o linkedin do impacto social, a definição de negócio social é bem abrangente. “Para negócios sociais existem várias definições. A gente já fez alguns estudos e tem um espectro aí, vamos dizer, com seis níveis de complexidade que determinam um negócio social ou um negócio de impacto. No caso da Pipe, a gente quer ser o mais amplo possível para receber todas as demandas do ecossistema de impacto. Então, para nós, um negócio social ou de impacto, é aquele que está olhando para os problemas dos 17 ODSs e resolvendo com o seu produto ou serviço algum desses problemas.”

Mariana deixa claro que a filantropia faz parte do mundo das ONGs e Institutos, iniciativas do chamado 3º setor. “Se você tem um produto ou serviço, mas ainda depende mais de 50% de editais de governo, de patrocínio e doação, um modelo meio ONG, a gente não considera um negócio. Você pode ter até um registro de Associação, mas se sua empresa não gera renda através de um produto ou serviço próprio, não pode ser considerada um negócio de impacto ainda. Você está mais para uma associação da sociedade civil, que ainda precisa encontrar uma forma de ser sustentável financeiramente.”

Haroldo Rodrigues, sócio-fundador da In3citi, uma investidora social, também chama a atenção para a importância da sustentabilidade financeira. “Negócios sociais são modelos sustentáveis que transformam a vida das pessoas, visam a sustentabilidade econômica, geram impacto positivo na sociedade, no território e, principalmente, no equilíbrio do ecossistema do planeta.” Haroldo define como pilares do negócio social, “propósito, transformação de pessoas, de vida, manutenção do equilíbrio do planeta, do ambiente e, principalmente, geração de riqueza, bem-estar e qualidade de vida.” Para ele, a escolha de investir em um negócio social passa pelo DNA do empreendedor. “Os modelos de negócio social estão muito relacionados a propósito. O empreendedor tem que ter no seu DNA o propósito de transformar a vida das pessoas, de transformar o mundo, e principalmente, de mudar a regra do jogo, fazer diferente dos modelos convencionais em andamento.”

Propósito também é a palavra-chave para Adriana Barbosa, idealizadora da Feira Preta, o maior festival de afro-empreendedorismo da América Latina. “Os negócios sociais surgem de empreendedores que têm como missão, visão, dedicar a sua vida em resoluções de problemas, de necessidades, de dores da sociedade. Então, o objetivo desse empreendedor não é fazer um negócio simplesmente para obter lucro, mas principalmente para poder impactar a vida de outras pessoas, para poder ajudar a construir esse país ou contribuir para um país mais equânime, com mais desconcentração de renda.”

O desejo de ver uma distribuição de renda mais justa foi o que levou Kuki Bailly a criar a RedeDots, uma plataforma de comércio justo e solidário onde profissionais autônomos e pequenos empreendedores vendem seus produtos e serviços. “O negócio social é um negócio que resolve problemas na sociedade. Além de ter uma função, como qualquer outro negócio, ainda por cima resolve problemas graves que a sociedade. Isso é o que difere um negócio social de um negócio tradicional.”

Para Felipe Seibel, cofundador da ATINA, uma startup de educação, não há mais espaço para empresas que não se responsabilizam pelo impacto de sua atuação. “Sem impacto social, não tem conversa, não tem negócio! É evidente que toda empresa gera impacto. O que temos de ter em mente é o tipo de impacto que é gerado. Há impactos positivos e negativos, sempre. Os negócios sociais têm como premissa ter uma balança desequilibrada, pendendo para o impacto positivo. E isso só é possível porque o lucro sustentável é oriundo desse impacto.” Felipe lembra que estamos na era da economia compartilhada. “Não é hora de pensar em vender mais e mais produtos industrializados. Não só porque há um preço ambiental impagável, mas porque a sociedade global, as novas gerações, estão cada vez mais cientes de que a cultura da posse pela posse não faz sentido, a conta não fecha.”

Por isso mesmo há muita gente que resolve empreender em um negócio social não pelo desejo de mudar o mundo, mas por enxergar uma oportunidade de mercado.

“A gente tenta não discriminar ninguém na Pipe. Todo mundo é bem -vindo, mas em geral existem grupos que a gente pode definir por perfil, um certo padrão que a gente vê. Tem pessoas que vêm da área social e que entendem muito claramente do problema que estão enfrentando, mas que cansaram de viver desse modelo de doação e captar recurso, que também é bastante complexo e exaustivo, e entenderam a oportunidade na venda de produtos e serviços como uma forma de ser sustentável na resolução desses problemas. Existem essas pessoas que já vêm dessa área social, da mesma forma que existe o contrário. Você tem empresários, empreendedores seriais que já tiveram outros negócios e que encontraram uma oportunidade de atender um público que está carente de certos serviços e produtos. Pensando no Brasil, por exemplo, na área das fintechs (startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro). Você tem uma base da pirâmide, quase 50% da população, desbancarizada. Então você tem muita oportunidade de negócio para fintechs.”

A ideia de que negócios sociais são a união da empresa com uma instituição filantrópica

Os negócios sociais são um misto de empresa e instituição filantrópica e estão transformando

O ideal de um bom negócio de impacto é quando mistura todos eles: as pessoas com expertise de negócio, as pessoas com noção clara do problema, as pessoas com um viés de tecnologia que podem facilitar com que esse problema seja resolvido de forma escalável e também o pessoal da pesquisa, da análise, que entende também as metodologias e análises, principalmente para medir o impacto e o efeito daquele produto e serviço.

Então a gente fala de diversidade no dia a dia, mas trabalhar com negócios de impacto é necessariamente, no cuor, trabalhar com diversidade de pessoas, de pontos de vista, de formação, de onde elas vieram, como elas vieram ao mundo e como elas cresceram. Então a gente vê um perfil muito múltiplo, que em conjunto tem o foco de estar resolvendo um problema social ou ambiental ou os dois.

. E estão assim porque foram educadas cientificamente – elas têm ciência de que podem e devem fazer escolhas, se quiserem ter alguma qualidade de vida, em prol de um bem maior. As ameaças à vida humana na Terra são universais, não olham para localidades específicas ou grupos sociais.

Não se trata de ajudar a quem não tem, mas de investir naqueles que estão em situação vulnerável, dar oportunidade para todos, afim de problemas que impactam negativamente a sociedade e ainda ter lucro, mas com propósito.

resolver a escassez, falta de trabalho

Do meu ponto de vista, o que aconteceu comigo, pela minha experiência, foi sentir falta de algo a mais. Depois de ter trabalhado muitos anos em agências e no mundo corporativo, eu senti necessidade de ir além na missão que eu tenho, no conhecimento que eu tenho, eu senti necessidade de ensinar tudo o que eu aprendi e conseguir um impacto maior, conseguir um resultado maior, conseguir escalar isso e resolver realmente um problema. Eu senti que resolver os problemas só de uma corporação, não era o suficiente para mim. Eu tinha que ir além disso. E aí fiquei procurando maneiras de resolver, hoje por exemplo, o meu negócio o problema da escassez, da falta de trabalho, eu gero renda e uma distribuição mais justa de renda, digamos.

Então eu trabalhei na área de branding, na área de design a vida inteira e hoje eu ensino pequenos empreendedores a fazerem isso e a sobreviverem através da crise. Então eu resolvo um problema grave social usando tudo o que eu aprendi e isso me motiva muito, isso me deixa muito feliz. O impacto que isso causa é importante pra mim e eu acho que é muito importante para essas milhares de pessoas que estão trabalhando ou são beneficiadas por um negócio.

Atualmente, se a Humanidade tiver a pretensão de continuar sobrevivendo na Terra, é uma condicionante agir em prol dessa Agenda. A ONU até a organizou, chamando-a de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 2030). Se quiser não apenas sobreviver, mas viver com alguma qualidade, é obrigatório verter todas as suas energias para negócios de impacto. Não visualizamos, em um curto ou médio prazo, nenhum modelo já identificado que tenha o poder mobilizador de promover essa transformação com rapidez e urgência, que os negócios sociais possuem.

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