• redação CIVI-CO

Vozes indígenas e as soluções climáticas


Foto: Arquivo


“A gente já não aceita que esse tipo de evento aconteça sem a nossa presença”, afirmou Txai Suruí durante a sua visita ao CIVI-CO no último dia 30 de novembro. A jovem representante indígena ganhou destaque com seu discurso sobre a importância de preservar as florestas e os povos originários na COP26, conferência das Nações Unidas que aconteceu no final de outubro.

Txai é nascida dos Povos Suruí, no estado brasileiro de Rondônia. Walelasoetxeige Suruí (ou Txai Suruí) tem 24 anos e é filha do cacique Almir Suruí, 47, uma das lideranças indígenas mais conhecidas na luta contra o desmatamento na Amazônia.


Pai e filha estiveram aqui no CIVI-CO para conhecer nossa Comunidade de impacto e para gravações de um novo projeto voltado para preservação dos povos originários, que será lançado em parceria com a Nossa Terra Firme, membro da Comunidade CIVI-CO.


A visita coincidiu com a participação deles no programa “Roda Viva” da TV Cultura. Durante a entrevista, Txai e Almir falaram da situação dos povos indígenas no Brasil e como as mudanças climáticas estão ameaçando diretamente o modo de vida deles e de todo o mundo.

“Essa é uma luta que é de todo mundo, os povos indígenas não estão lutando só pelas nossas vidas, só pelas nossas terras, estamos lutando pela vida de todos e essa era a mensagem que eu tentei levar não só no meu discurso, mas durante toda a minha trajetória na COP26”, explicou Txai.


O cacique Almir Suruí é famoso pelo posicionamento contra o genocídio dos povos indígenas. Ele também ressalta a importância da transferência do conhecimento ancestral e da permanência cultural como forma de luta.


“Eu tento empoderar elas e eles - meus filhos - dentro do conhecimento que nós temos na floresta. Eu me sinto muito orgulhoso, porque ela está conseguindo discutir esse que é o maior problema que o mundo passa hoje, que são as mudanças climáticas. Pelo efeito das nossas atitudes, destruindo nosso próprio universo”, disse Almir Suruí.


Violência Institucional


As mudanças climáticas não são as únicas ameaças aos povos indígenas no Brasil. Na luta pela sobrevivência, a disputa de terras com latifundiários, garimpeiros e até mesmo com o Estado é constante.


A recente discussão acerca da Tese do Marco Temporal, baseada em uma interpretação do Artigo 231 da Constituição Federal de 1988, que garantiu o direito dos povos originários sobre suas terras no Brasil, foi um exemplo de como no Brasil existe uma violência institucionalizada contra os indígenas.


“O nosso país precisa respeitar a sua própria lei e respeitar o meio ambiente, os territórios indígenas. Não só os Paiter Suruí, mas também povos indígenas da Amazônia que estão ameaçados pelo interesse de alguns que querem liberar garimpos, arrendar terra através de projetos de lei 490 e do Marco Temporal. Essa é a maior ameaça, porque o discurso incentiva. Por isso já foram derrubadas 200 milhões de hectares de florestas”, protestou Almir.


Espaços conquistados


Historicamente, as vozes das minorias foram silenciadas. Os conhecimentos que não se encaixam em padrões eurocêntricos foram subjugados e ironizados. Porém - a base de muita luta, suor e sangue - esses povos vêm conquistando espaço para apresentar soluções.


A participação brasileira na COP26 deste ano foi uma personificação desta luta. Em Glasglow tivemos 40 líderes indígenas, a maioria mulheres, e uma grande presença do movimento negro, que levou sua delegação com a coalisão negra de direitos, mostrando que falar sobre mudanças climáticas é primeiramente falar sobre pessoas.


“Era muito importante que nós estivéssemos lá, com as nossas vozes, com a nossa presença de espírito, para dizer que a gente já não aceita que esse tipo de evento aconteça sem a nossa presença e que as decisões não podem acontecer sem a nossa presença, sem a presença de quem vêm sofrendo com as consequências das mudanças climáticas”, ressaltou Txai.


O encontro na Escócia foi a reunião mais importante sobre políticas climáticas desde o Acordo de Paris, assinado em 2015, que tem como objetivo diminuir as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento global a 1,5ºC.


A pluralidade do evento teve o propósito de dar voz às pessoas que sofrem diretamente com os impactos das mudanças. Unir forças entre lideranças e representantes dessas realidades é essencial para que os líderes mundiais entendam a gravidade da situação e se empenhem em achar soluções.


“A gente precisa buscar soluções juntos. O mundo precisa buscar soluções porque ninguém faz nada sozinho, só fazemos em conjunto. Essa união fortalece e constrói esse caminho e, aos poucos, a gente vai revertendo essa situação. Ainda tem tempo da gente reverter essa ameaça que o mundo passa com as mudanças climáticas”, comentou o cacique Almir.

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